

Não é difícil entender por que Da Nang está se consolidando como o destino favorito dos nômades digitais no Sudeste Asiático. O custo de vida extremamente baixo para quem ganha em moeda estrangeira faz com que o Vietnã seja provavelmente um dos destinos mais baratos do mundo para se viver. Para europeus, ligar o Wi-Fi em Da Nang significa ter um escritório na praia — um fator que atrai tantos expatriados em busca do tal life-work balance. 11 em cada 10 influencers gringos vão dizer que Da Nang vale o hype.
Em 2025, a cidade recebeu cerca de 7 milhões de turistas, a grande maioria de origem coreana. Mas, como o Vietnã ainda não introduziu um tipo de visto específico para nômades digitais, é impossível saber quantos desses visitantes realizam atividades econômicas remotamente.
Mas confesso que sempre tive curiosidade para entender de onde vem o apelo de Da Nang para a comunidade brasileira de nômades digitais. Afinal, estamos falando de uma cidade costeira, repleta de prédios fazendo sombra na beira-mar — coisa que existe aos montes no Brasil. Então, o que exatamente faz Da Nang ser tão especial para quem vem de tão longe? Será é somente o custo de vida? A vibe praiana? A comunidade internacional? Ou será que existe alguma coisa na rotina da cidade que não é tão óbvia para quem visita apenas como turista?
Para responder a estas perguntas, passei algumas semanas trabalhando remotamente em Da Nang e pude experimentar a cidade no ritmo de quem não está apenas de passagem.


Como é o clima em Da Nang?
De maneira geral, dá para dividir o ano em dois grandes períodos: uma estação mais seca e uma estação chuvosa. Os meses mais secos vão aproximadamente de janeiro a agosto (com junho, julho e agosto sendo também os meses mais quentes). Já o clima ruim costuma se concentrar entre agosto e dezembro, com outubro sendo disparado o mês mais chuvoso.
Olhando para o gráfico abaixo, não tive dúvidas: fevereiro parece ser, sem dúvida, o melhor mês para passar uma temporada em Da Nang. Ledo engano…

Como o aquecimento global parece estar colocando tudo de cabeça para baixo, descobri na prática que estação seca em Da Nang não é sinônimo de sol todos os dias. Na maior parte do tempo, o céu permaneceu nublado em fevereiro, com chuvas fortes ocasionalmente que duravam vários dias seguidos. A temperatura da água do mar também não estava quente o suficiente para um banho — pelo menos não para quem vem da Bahia.
10 coisas que eu gostaria que tivessem me contado antes sobre Da Nang
Os influencers gostam de vender uma ideia bem romantizada dos destinos que visitam e ainda mais dos destinos que escolhem para viver. Com Da Nang, não é diferente. Isso acaba dificultando encontrar informações confiáveis sobre aspectos do dia a dia da cidade que são importantes para quem está em processo de pesquisa.
Depois de três semanas vivendo a cidade, estas são algumas das coisas que eu gostaria de ter descoberto antes de chegar:
1 – Da Nang não é uma cidade para fazer tudo a pé
Da Nang não é exatamente uma cidade que se encaixa no conceito de walkable city. Muitas partes da cidade não têm calçada, e as distâncias entre os lugares são grandes demais para explorar caminhando.
A região da orla de My Khe é definitivamente fácil de percorrer caminhando, assim como o bairro de An Thuong, onde é possível passar boa parte do dia sem precisar de transporte. Mas Da Nang, como um todo, não é uma cidade pequena. Na prática, você provavelmente vai precisar do Grab sempre que quiser se deslocar para outras partes da cidade.
Os mais corajosos podem, é claro, alugar uma scooter durante a estadia. Mas se você já viu como os vietnamitas dirigem scooters, provavelmente vai pensar duas vezes antes de se aventurar no trânsito.
2 – Supermercado não é exatamente na esquina
Uma coisa que me surpreendeu em Da Nang foi perceber que fazer uma compra maior de supermercado não é tão simples quanto sair caminhando do apartamento e entrar no mercado mais próximo. Os supermercados maiores ficam mais afastados das áreas onde a maioria dos estrangeiros costuma se hospedar, especialmente da região de My Khe e An Thuong.
Para compras pequenas, há inúmeras lojas de conveniência espalhadas pela cidade. Mas, quando você quer fazer aquela compra de verdade para abastecer a geladeira provavelmente vai precisar pedir um Grab. Para quem está passando poucos dias na cidade, isso é irrelevante. Para quem pretende passar algumas semanas ou meses, é uma daquelas pequenas questões práticas que começam a fazer diferença na rotina.
3 – A praia de My Khe é superestimada
Com uma faixa extensa de areia, em uma das áreas mais movimentadas de Da Nang, a praia de My Khe já foi reconhecida pela Forbes como uma das praias mais bonitas do mundo. Mas isso é definitivamente bem relativo.
Para começar, My Khe não tem exatamente aquele visual tropical que associamos a uma praia paradisíaca. Há também uma promenade bastante utilizada para caminhadas e corridas, mas não espere coqueiros, quiosques e aquela atmosfera descontraída de praia brasileira.
E a relação dos vietnamitas com a praia também é curiosa. Eles chegam cedo, muito cedo. Por volta das 5h da manhã, a praia já está cheia de pessoas fazendo exercícios e tomando banho de mar. Quando o sol começa a esquentar, os locais fogem dele como o diabo foge da cruz. Depois das 8h da manhã, não espere mais encontrar vietnamitas na faixa de areia.


4 – O fuso horário pode ser um problema para o nômades digital
O fuso horário entre o Brasil e o Vietnã é de 10 horas. Ou seja, quando a jornada de trabalho está começando no Brasil, já são 6 da tarde em Da Nang.
Para quem trabalha remotamente para empresas ou clientes brasileiros e precisa acompanhar o horário comercial do Brasil, isso pode significar trabalhar até tarde todos os dias. Não é necessariamente um problema se você tem flexibilidade de horários, mas pode mudar bastante a experiência de viver na cidade.
5 – A cultura do cigarro faz parte do cotidiano
Uma observação prática para quem, assim como eu, tem dificuldade em conviver com cheiro de cigarro no dia a dia: no Vietnã é comum encontrar pessoas fumando em restaurantes, cafés e outros espaços onde brasileiros normalmente não esperariam encontrar fumaça de cigarro. Mesmo para quem está acostumado com a Europa, aqui a cultura do cigarro se eleva à máxima potência.
Isso se estende também aos carros de aplicativo: praticamente todos os Grab que pegamos tinham algum cheiro de cigarro. Não necessariamente porque o motorista estivesse fumando naquele momento, mas porque o interior do carro frequentemente carregava aquele cheiro impregnado.
6 – Nômades digitais com filhos precisam de planejamento extra
Nômades digitais com filhos que precisem de babysitter podem se preparar para encontrar uma demanda alta e uma oferta relativamente pequena. As profissionais precisam ser reservadas com antecedência, especialmente em períodos de maior movimento. O custo fica em torno de US$ 10 por hora, por criança. Ou seja, quem tem dois filhos e precisa trabalhar oito horas por dia pode esperar pagar cerca de US$ 160 por dia apenas com babysitter.
Circular por Da Nang com crianças exige atenção redobrada. Há muitos pontos em que é preciso atravessar a rua sem semáforos, no meio de um fluxo constante de motos e carros. Estou habituada a cidades com trânsito intenso, mas o Vietnã é outro nível. Atravessar a rua, que normalmente seria uma tarefa banal, pode tornar-se uma pequena aventura — e, com crianças, exige ainda mais cuidado.
7 – Você só vai cozinhar se quiser
Da Nang é um daqueles lugares onde cozinhar em casa é praticamente uma escolha, e não uma necessidade. Comer fora é tão fácil e barato que, depois de alguns dias, você pode acabar desistindo da ideia de cozinhar. Para mim, que detesto cozinhar por obrigação, isso é um ponto bastante positivo.
Mas, para quem tenta manter uma alimentação saudável, pode ser mais difícil encontrar refeições equilibradas todos os dias. A variedade de produtos fitness e proteicos aos quais estamos habituados no Ocidente também é mais limitada no Vietnã, assim como a oferta de alternativas ao leite de vaca e de produtos sem glúten.
8 – Da Nang ainda pertence aos vietnamitas
Em algumas cidades do Sudeste Asiático, a chegada de estrangeiros com maior poder de compra transformou bairros inteiros, elevando preços e fazendo com que negócios e serviços passassem a atender muito mais a esse novo público do que aos moradores locais.
Em Da Nang, esse processo de gentrificação ainda não chegou ao mesmo nível de cidades como Chiang Mai. É claro que existem bairros e estabelecimentos claramente voltados para estrangeiros, especialmente em áreas como An Thuong, mas basta atravessar algumas ruas para voltar a uma cidade essencialmente vietnamita. Existe uma sensação de estar vivendo em uma cidade que ainda pertence aos seus moradores e não em uma espécie de enclave internacional criado para nômades digitais.


9 – O Ano Novo Lunar pode afetar sua rotina
Em toda a Ásia, o período do Ano Novo Lunar costuma ser bastante especial, e no Vietnã não é diferente. Conhecido como Tet, praticamente todo o país entra em recesso durante um período que dura cerca de 10 dias. Muitas lojas e restaurantes permanecem fechados, enquanto os restaurantes e cafés que continuam funcionando cobram uma taxa extra de 10 ou 15% para compensar o aumento dos custos com a equipe durante os feriados. Os serviços de limpeza e babysitting também ficam mais caros.
A celebração acontece entre o final de janeiro e meados de fevereiro, mas as datas mudam a cada ano, pois seguem o calendário lunar. Se você pretende passar uma temporada em Da Nang nessa época, vale conferir as datas do Tet com antecedência e se preparar para encontrar alguns estabelecimentos fechados ou com preços diferentes do habitual.
10 – Da Nang pode não ser a melhor base para explorar o Vietnã
Geograficamente, Da Nang parece estar no lugar perfeito para quem quer explorar o Vietnã. A cidade fica no centro do país, entre Hanói (norte) e Ho Chi Minh City (sul). Além disso, está a uma curta distância de destinos como Hoi An e Hue, o que torna fácil fazer algumas viagens curtas pela região. Mas existe uma pegadinha nessa localização central: o Vietnã é um país muito comprido. Estar no meio dele não significa estar perto de tudo.
Para conhecer o norte ou o sul, você provavelmente vai precisar pegar um avião ou encarar algumas boas horas de trem. De avião, Hanói fica a cerca de 1h20 e Ho Chi Minh City a aproximadamente 1h30. Já de trem, a viagem é muito mais demorada e desconfortável, mas pode ser uma experiência interessante para quem gosta de viajar devagar, especialmente pelo trecho entre Da Nang e Hue, que passa pelo Hai Van Pass.
Por outro lado, o aeroporto internacional de Da Nang é uma grande vantagem para quem pretende usar a cidade como base para conhecer outros países da Ásia. Há voos diretos para destinos como Bangkok, Singapura, Kuala Lumpur, Hong Kong, Taipei, Seul, Tóquio, Osaka, Manila e Siem Reap, entre outros.
Isso muda bastante a equação para quem está passando algumas semanas ou meses no Sudeste Asiático. Da Nang pode não ser a melhor base para fazer um roteiro inteiro pelo Vietnã sem precisar se deslocar bastante, mas funciona muito bem como ponto de partida para combinar a vida na cidade com viagens pontuais pelo país e escapadas para outros destinos da Ásia.
O futuro de Da Nang como hub de nômades digitais
O nomadismo digital tem uma relação bastante próxima com a gentrificação. Quando uma cidade passa a atrair estrangeiros que recebem em moedas mais fortes e têm um poder de compra superior ao da população local, é natural que surjam mudanças no mercado imobiliário, no comércio e até na maneira como determinados bairros se organizam. Aos poucos, restaurantes, cafés e serviços começam a se adaptar às preferências desse novo público — e o que antes era um espaço voltado aos moradores passa a atender cada vez mais a quem vem de fora.
Existe também um paradoxo interessante no estilo de vida dos nômades digitais. Muitos escolhem um destino justamente pela promessa de uma experiência cultural diferente, mas acabam frequentando os mesmos tipos de lugares que frequentariam em casa: cafés com cardápios ocidentais, restaurantes internacionais, academias, coworkings e bares voltados para estrangeiros. Não há nada de errado nisso, especialmente quando a ideia é conciliar trabalho e viagem. Mas, quando esse comportamento se torna dominante, a experiência de viver em outro país pode acabar sendo muito menos local do que parece nas redes sociais.
Em Da Nang, ainda tive a sensação de que essas duas realidades coexistem. Há bairros com uma concentração visível de negócios voltados para estrangeiros, mas basta sair um pouco dessas áreas para encontrar uma cidade que segue seu próprio ritmo. A vida cotidiana vietnamita continua muito presente, e isso faz parte do que torna a cidade interessante para quem quer passar uma temporada por lá.
Se Da Nang vai se tornar tão popular entre nômades digitais quanto Chiang Mai ou Bali, só o tempo dirá. A questão é como esse crescimento vai acontecer — e quem vai se beneficiar dele. A chegada de estrangeiros pode gerar empregos, movimentar negócios e ampliar oportunidades, mas também pode pressionar os preços e transformar bairros de maneiras que nem sempre favorecem quem já vive ali.
O que fazer em Da Nang quando você finalmente fecha o laptop?
Da Nang tem os rolês mais aleatórios do mundo e eu posso provar! Desde uma vila francesa medieval no alto das montanhas até um parque aquático japonês, passando por uma marina inspirada em Santorini, a cidade está repleta de lugares que não faziam o menor sentido estar ali.
Quando o dia de trabalho chegar ao fim e finalmente for a hora de fechar o laptop, aqui estão alguns dos lugares que eu mais gostei de conhecer.
Marble Mountains



A poucos quilômetros do centro de Da Nang ficam as Marble Mountains, um conjunto de cinco montanhas que representam os cinco elementos: Metal, Água, Madeira, Fogo e Terra. A visita é um circuito caminhável que reúne cavernas, templos budistas, pagodas e mirantes. O acesso ao complexo é feito por um elevador, que é pago à parte mas facilita muito a visita.
É um dos lugares mais visitados por turistas na cidade. Por isso, a maior dica aqui é chegar o mais cedo possível para adquirir os ingressos. Chegamos às 7h da manhã e pegamos o elevador sem nenhuma fila. Às 10h30, quando estávamos saindo, a fila de acesso já estava dando voltas e parecia demorar bastante.
Lady Buddha



Do outro lado da cidade, no caminho para a península de Son Tra, fica um dos cartões-postais mais conhecidos de Da Nang: a estátua de Lady Buddha. Com 67 metros de altura, ela não é uma representação do Buda histórico (Siddhartha Gautama), mas sim da divindade Quan Âm, a versão vietnamita de Avalokiteshvara, o bodhisattva associado à compaixão.
A visita é gratuita e o acesso com Grab é bem fácil. O complexo também abriga o Linh Ung Pagoda, além de jardins e uma vista aberta para o mar e para a cidade. Assim como as Marble Mountains, vale a pena chegar cedo para a visita, quando o calor ainda não está tão forte e o movimento é menor.
Ba Na Hills


É difícil levar Ba Na Hills muito a sério. Este enorme parque temático no alto das montanhas parece ter sido transportado diretamente da Europa: há uma vila francesa medieval, castelos, igrejas e até uma adega de vinhos construída dentro da montanha — toda uma cidade cenográfica inspirada na arquitetura europeia.
Mesmo sendo um lugar completamente aleatório, Ba Na Hills atrai milhares de turistas locais e estrangeiros, principalmente por causa da Golden Bridge, aquela ponte sustentada por duas mãos gigantes que provavelmente você já viu em alguma foto de viagem. É bonita, sem dúvida, mas Ba Na Hills é muito mais do que a ponte. Por isso, reserve um dia inteiro para explorar o complexo.


Para chegar até lá, o processo é um pouco demorado. Você vai precisar pegar um Grab em Da Nang, que leva aproximadamente uma hora. Uma vez na entrada do parque, você compra o ingresso e embarca em uma subida de teleférico, a única forma de chegar ao parque. O teleférico do Sun World Ba Na Hills detém dois recordes mundiais no Guinness Book, sendo considerado um dos sistemas de teleférico mais longos impressionantes do planeta. Um deles é o de trecho único sem paradas mais longo do mundo, com quase 6 mil metros de extensão. O outro é o de maior desnível vertical entre as estações de partida e chegada, com cerca de 1.369 metros. A viagem total dura cerca de 20 minutos, o que é um tempo bem considerável para ficar suspenso no ar.
A subida já faz parte da experiência. O teleférico atravessa uma camada de nuvens que (dependendo do dia) revela um céu azul que você nem conseguia enxergar da base. Claro que, se o tempo estiver muito ruim, pode haver neblina também no topo da montanha. A verdade é que não dá para saber exatamente o que esperar até o teleférico chegar lá em cima.


São cerca de 25 minutos de teleférico até a parada que leva à Golden Bridge — e quanto antes você visitar esta atração, melhor! Quanto mais tarde fica, mais difícil é conseguir uma foto na ponte sem uma multidão de turistas. Por isso, vale mencionar que existe a opção de se hospedar dentro do próprio parque, mais especificamente na French Village, onde fica um hotel Mercure com valores relativamente acessíveis. Esta é a única forma de garantir uma foto na ponte antes que cheguem os primeiros visitantes ao parque.



Depois de visitar a Golden Bridge, você provavelmente vai querer aproveitar para conhecer o resto do parque, já que o ingresso inclui todas as atrações. Com crianças, vale visitar o Fantasy Park, um parque de diversões indoor com dezenas de jogos e atrações. Já os adultos podem gostar do Alpine Coaster, uma espécie de montanha-russa individual pela encosta da montanha.
Existe ainda um templo budista no alto da montanha, o Linh Ung Pagoda, com uma grande estátua de Buda e vistas para um verdadeiro mar de nuvens. Esta parte do parque fica surpreendentemente vazia — talvez por isso tenha sido meu lugar favorito.



E, como se tudo isso não fosse aleatório o suficiente, o parque tem até uma cerveja de fabricação própria, que você pode provar em um restaurante em estilo alemão!
Da Nang Downtown



Enquanto Ba Na Hills é um parque temático pensado para passar o dia inteiro, o Da Nang Downtown funciona muito melhor como programa para o fim da tarde e começo da noite. Como o nome sugere, o parque de diversões fica bem no centro da cidade e parece funcionar como um ponto de encontro para os jovens de Da Nang, que vão até lá para comer nas barraquinhas de comida do night market e passear pelo complexo, já que a entrada no parque é totalmente gratuita. A área do mercado noturno é particularmente animada, com diversas barracas de comida e aquelas mesinhas baixas típicas do Vietnã.
O sistema de ingressos é relativamente flexível: você pode pagar apenas pelas atrações que quiser ou comprar um passe que dá acesso a várias delas. Nós fomos à noite e não tínhamos nenhuma intenção de fazer tudo, então optamos pelos ingressos avulsos. Fomos na Sun Wheel, a roda-gigante que é o símbolo do parque, com 120 metros de altura, uma das maiores do Sudeste Asiático. Também aproveitamos algumas atrações mais voltadas para crianças, como os trenzinhos.
Mais do que os brinquedos em si, gostei da atmosfera do lugar. É um programa despretensioso, perfeito para comer alguma coisa, observar o movimento e passar algumas horas sem precisar planejar muito.
Atualização: o Da Nang Downtown fechou permanentemente em 3 de setembro de 2025. A área está destinada a um projeto imobiliário que prevê a construção de uma torre de 70 andares. O relato acima corresponde à minha experiência antes do fechamento.
Dragon Bridge
Um dos cartões-postais mais conhecidos de Da Nang, esta ponte em formato de dragão já chama a atenção pela própria arquitetura. Mas é nos finais de semana que ela se torna mais interessante.
Todos os sábados e domingos, às 21h, moradores e turistas se reúnem às margens do rio Han para ver o dragão soltar jatos de fogo. Para minha surpresa, ele também solta jatos de água, que deixam molhados todos os que estiverem muito perto da cabeça da ponte.

Minha sugestão é chegar com pelo menos 30 a 45 minutos de antecedência, porque os melhores pontos de visualização ficam bastante concorridos. A apresentação dura cerca de 10 a 15 minutos e é gratuita.
Ao lado da ponte fica o Son Tra Night Market, um mercado noturno com diversas barraquinhas de comida, bebidas, souvenirs e mesinhas para sentar e comer. Muitos moradores lotam o mercado no início da noite e depois seguem para assistir ao espetáculo.
Para quem prefere assistir ao show sentado à mesa, minha sugestão é o La Cabana Steakhouse, um restaurante argentino especializado em carnes grelhadas, localizado às margens do rio. A varanda tem vista para a Dragon Bridge, então dá para combinar o jantar com o espetáculo. Como os lugares com essa vista são bastante procurados, vale reservar com antecedência e pedir especificamente uma mesa na varanda com vista para a ponte.
Son Tra Marina
Mais um dos rolês aleatórios de Da Nang: esta marina na península de Son Tra transporta os visitantes diretamente para Santorini, na Grécia. Com construções brancas e azuis típicas das ilhas Cíclades, o lugar destoa completamente da paisagem vietnamita.



A Son Tra Marina funciona como café e restaurante, mas muita gente vai até lá principalmente para tirar fotos. É o tipo de lugar pensado para atrair o público local em busca de boas imagens, enquanto a qualidade da comida e das bebidas servidas acaba deixando a desejar.
Vale combinar a visita com um passeio pela península de Son Tra, especialmente se você já estiver indo conhecer a Lady Buddha.
Mikazuki Water Park 365


Outro rolê improvável em Da Nang é o Mikazuki Water Park 365, o maior parque aquático indoor do Vietnã. Isso porque ele tem uma temática toda japonesa e fica localizado dentro de um resort da rede japonesa Mikazuki. Então, realmente se trata de uma experiência japonesa relativamente autêntica, e muitos funcionários do resort vieram transferidos de hotéis da rede no Japão.
O parque aquático conta com uma área indoor e outra outdoor, o que permite visitá-lo em qualquer época do ano. É uma opção especialmente boa em dias de chuva, já que a parte indoor é aquecida. Na parte seca, o parque conta também com uma área de arcade games, a Tokyo Dream Game, e um parquinho infantil estilo soft play, com piscinas de bolinhas e outras atividades para os mais pequenos.
Minha parte favorita é, sem dúvida, o onsen japonês, motivo pelo qual acabamos visitando o parque duas vezes. Essa piscina de águas termais fica ao ar livre, em um ambiente inspirado nos jardins japoneses. A temperatura da água fica por volta dos 40 graus, por isso é recomendado limitar o tempo dentro da água. Ao sair do onsen, um café japonês com mesas no tatame serve udon e outras comidinhas japonesas.
Na área do parque existem várias lanchonetes e opções para comer, mas minha sugestão é aproveitar para ir a um dos restaurantes do próprio hotel. Basta sair da área do parque e entrar na área exclusiva para hóspedes. O Sushi Tamahime é absolutamente sensacional: qualidade de nível japonês, com preços vietnamitas.
Hoi An
A cerca de 45 minutos de carro de Da Nang fica uma das cidades históricas mais charmosas do Vietnã — e meu lugar favorito entre todos os que tivemos a oportunidade de visitar no país.
Para quem está passando algumas semanas em Da Nang, Hoi An funciona bem como um bate-volta de um dia. Mas, se possível, recomendo fortemente passar algumas noites na cidade para conhecê-la com mais calma.
Aqui você encontra um post completo sobre Hoi An.
Onde comer bem em Da Nang?
Uma das melhores coisas de passar uma temporada na Ásia é poder alternar os clássicos da culinária local com comida japonesa, churrasco coreano, pizza artesanal, cerveja produzida localmente e tantas outras opções que vão muito além da gastronomia vietnamita. Em Da Nang, não faltam restaurantes para variar o cardápio e descobrir novos favoritos ao longo da estadia. Estes são alguns dos lugares que conheci e recomendo para quem quer comer bem na cidade:
East West Brewing Co.


A East West Brewing Co. é uma cervejaria artesanal com unidade à beira-mar, na praia de My Khe. Além de produzir suas próprias cervejas, o espaço funciona como restaurante e bar, com pratos que combinam com a proposta descontraída do lugar. É uma boa opção para tomar uma cerveja artesanal depois de um dia de trabalho ou passar o fim de tarde com vista para o mar.
Esco Beach
Um dos points favoritos dos nômades digitais, o Esco Beach tem uma das melhores vistas desobstruídas da praia de My Khe. Muita gente aproveita para trabalhar por lá enquanto experimenta o extenso cardápio de coquetéis. O menu é bastante variado, com especialidades locais e pratos ocidentais. Os preços são um pouco mais altos do que a média de Da Nang, mas, na minha opinião, a experiência compensa. Em algumas noites, o restaurante também recebe bandas que tocam música ao vivo.
Meet Bánh Mì & Coffee
Todos os dias, nosso café da manhã era no Meet Bánh Mì & Coffee, já que ele ficava ao lado do nosso prédio. Eles servem todos os clássicos vietnamitas, incluindo egg coffee, salt coffee, coconut coffee, avocado coffee e mango coffee. Os bánh mì de lá também são excelentes, com a baguete bem crocante, como tem que ser.


Muitos nômades digitais usam o café como espaço de trabalho, mas o movimento é intenso e acaba faltando um pouco de tranquilidade para quem pretende passar algumas horas trabalhando por ali.
Sushi Tamahime



O Sushi Tamahime foi pra mim uma das melhores surpresas gastronômicas de Da Nang. Localizado dentro do resort japonês Mikazuki, o restaurante atende principalmente aos hóspedes do hotel, o que acaba fazendo dele um segredo bem guardado na cidade.
O restaurante oferece uma experiência japonesa autêntica: sushi de extrema qualidade, acompanhado de cerveja Orion, de Okinawa, mas com a vantagem dos preços vietnamitas. Em algumas noites, o restaurante oferece a opção de all you can eat por menos de US$ 20 por pessoa. O ambiente é lindo, com opções de mesas no tatame. Reserve com antecedência.
La Cabaña Steakhouse

Este restaurante argentino era nossa escolha sempre que íamos à Dragon Bridge para assistir ao espetáculo de fogo e água. Visitamos o La Cabaña várias vezes, e a qualidade se manteve constante em todas elas. Os cortes argentinos são o destaque do cardápio, sempre acompanhadas de guarnições preparadas à perfeição. A varanda tem vista para o rio Han, de onde é possível ver a própria Dragon Bridge — uma ótima pedida para jantar antes, durante ou depois do espetáculo.
Golden Meat House
Visitamos este restaurante por causa do alto número de avaliações positivas no Google, e ele definitivamente não decepcionou. O Golden Meat House é um autêntico churrasco coreano, com uma equipe simpática e sempre disposta a ajudar no preparo das carnes, caso o cliente prefira.


As opções vão desde cortes mais simples até carnes bovinas premium, como wagyu, e carne suína ibérica. Essa variedade também se reflete no preço final da refeição, que depende dos cortes escolhidos. O ambiente é confortável e arejado, algo especialmente importante em um restaurante de churrasco coreano, onde a carne é preparada na própria mesa.
Pizza 4P’s
Quem poderia imaginar que colocar um japonês para fazer comida italiana ia dar bom? A Pizza 4P’s é uma rede de pizzarias de origem japonesa, presente em várias cidades do Vietnã e em outros países da Ásia. Sinceramente, não sei como as redes sociais ainda não descobriram essa rede, porque a qualidade é simplesmente surreal!


Eles seguem o conceito farm to table, priorizando ingredientes frescos e locais. Um dos destaques é a produção própria de queijos, incluindo as burratas, que aparecem em diversas combinações do cardápio. As pizzas têm combinações de sabores que vão muito além das tradicionais, como a de vieiras de Hokkaido gratinadas com missô doce, a de sashimi de salmão ou a de inspiração indiana, com frango tandoori e curry.



As massas também são incríveis, com destaque para o espaguete cremoso de caranguejo com ricota. Sim, nós provamos muitas coisas do cardápio! Fomos umas seis ou sete vezes a diferentes filiais da rede pelo Vietnã, e o padrão de qualidade se manteve constante em todas as visitas.
As entradas incluem burrata com trufas e presunto de Parma envolta em massa folhada, fondue de queijo, batata assada ao estilo alemão com queijo raclette e croquetes cremosos de frutos do mar. Tudo simplesmente divino!
Chops Da Nang
Esta rede de hamburguerias presente em todo o Vietnã faz provavelmente um dos melhores hamburguers que já comi na minha vida. Especializado em hambúrgueres artesanais, o Chops usa carne bovina australiana, pães preparados na própria casa e molhos de fabricação própria. Mas não cometa o erro de ficar tão satisfeito com o hambúrguer a ponto de não sobrar espaço para a sobremesa: reserve um cantinho para provar o Rocky Road, com marshmallows e chocolate.
Van May
Para quem quer explorar a culinária vietnamita sem abrir mão de um ambiente confortável, o Van May é um dos restaurantes mais bem avaliados de Da Nang.


Localizado a poucos passos da praia de My Khe, o restaurante serve clássicos locais com uma apresentação caprichada. Entre os destaques está o bánh xèo, a panqueca vietnamita, que se tornou o meu prato vietnamita favorito. Aproveite para experimentar um acompanhamento bastante comum na culinária vietnamita: o rau muống xào, ou morning glory refogado, geralmente preparado com alho ou molho de ostra.



Bikini Bottom Express
Brunch americano com porções beeem generosas e preços acessíveis: o Bikini Bottom Express é o lugar para visitar quando estiver cansado de comida asiática. O restaurante é especializado em smash burgers ao estilo californiano, mas o cardápio também inclui sanduíches, vários tipos de batatas fritas, milkshakes e opções de café da manhã servidas até tarde. O ambiente é descontraído e casual, com uma atmosfera de praia californiana.
Thìa Gỗ
O Thìa Gỗ é restaurante reconhecido pelo Guia Michelin com a distinção Bib Gourmand, que destaca lugares com boa comida a preços acessíveis. O ambiente é cercado de vegetação e tem mesas ao ar livre, criando um contraste agradável com as ruas movimentadas da cidade. Como o restaurante é bastante popular entre turistas e locais, pode haver fila nos horários de pico.
O cardápio reúne clássicos da culinária vietnamita, com destaque para os rolinhos primavera frescos e o phở, a tradicional sopa vietnamita de noodles.





