Lanternas de Hoi An

Guia completo de Hoi An: a cidade mais fotogênica do mundo existe e eu posso provar

Nada menos que 1.178. Esse foi o número de fotos no rolo da minha câmera quando encerramos nossa estadia de 15 dias em Hoi An, a charmosa cidade das lanternas no centro do Vietnã. Os haters dirão que Hoi An perdeu sua autenticidade há muito tempo e que hoje não passa de uma cidade-vitrine cuidadosamente montada para turistas. E, em parte, eles têm razão. Mas há um detalhe que, para mim, torna essa crítica totalmente inócua: os próprios vietnamitas adoram Hoi An. A cidade recebe um enorme fluxo de turistas domésticos, que lotam suas ruas em viagens de fim de semana e feriados, disputando os melhores ângulos para fotografar as fachadas amarelas e participam dos rituais que envolvem acender lanternas e lançar oferendas no rio.

E talvez essa seja justamente uma das razões pelas quais Hoi An seja tão especial: é uma cidade histórica mas que parece ter sido feita para ser fotografada.

Por mais de 400 anos, Hoi An foi um dos portos comerciais mais importantes do Sudeste Asiático, atraindo mercadores do Japão, da China e da Europa (principalmente os portugueses). A cidade prosperou como um verdadeiro ponto de encontro entre culturas até perder espaço para Da Nang, que assumiu a posição de principal porto da região no século XIX.

Esse passado multicultural está estampado na arquitetura do Hoi An Ancient Town, um centrinho compacto e fácil de explorar a pé, com ruas tomadas por lojas charmosas, templos chineses, edifícios de influência colonial, restaurantes, cafés, galerias de arte e uma impressionante concentração de lojas de alfaiatarias, especializadas em confecção de roupas e sapatos sob medida — as famosas tailors.

Mas é quando o sol se põe que Hoi An começa a ganhar vida. As fachadas amarelas ganham uma luz dourada, as lanternas começam a ser acesas, os barcos deslizam pelo rio Thu Bon e, pouco a pouco, a magia da cidade parece entrar em cena. É nesse momento que você entende por que tanta gente se apaixona por Hoi An — e comigo não foi diferente.

Quando visitar Hoi An

O clima do Vietnã tem uma pegadinha. Apesar de o país parecer relativamente estreito no mapa, ele se estende por uma grande faixa de latitude, fazendo com que norte, centro e sul tenham padrões climáticos bastante diferentes. Na prática, isso significa que a melhor época para visitar Hanói pode ser completamente diferente da melhor época para conhecer Hoi An ou Ho Chi Minh City.

A temporada seca no centro do país (onde ficam Da Nang e Hoi An) acontece nos meses de Fevereiro, Março e Abril. É nesta época que as temperaturas são mais amenas e há pouca precipitação. Mas mesmo assim os dias podem ser nublados e escuros, que foi o que experimentamos na maior parte do tempo que ficamos no centro do Vietnã.

Por isso, os próprios vietnamitas costumam aproveitar os meses de Maio, Junho, Julho e Agosto para viajar pela região. O volume de chuva aumenta um pouco, mas, em compensação, os dias tendem a ser mais quentes e ensolarados.

Apenas evite viajar a Hoi An entre Setembro e Janeiro. É a época mais chuvosa no centro do Vietnã e, especialmente entre o outono e o início do inverno, as chuvas podem ser bastante intensas. Hoi An está às margens do rio Thu Bon e, em períodos de chuva excepcional, as águas podem subir a ponto de inundar partes da Ancient Town. Foi o que aconteceu em outubro de 2025, quando as enchentes chegaram a deixar áreas do centro histórico completamente alagadas.

Onde ficar em Hoi An

O primeiro erro que você pode cometer no planejamento da sua viagem para o Vietnã é voar para Da Nang e separar apenas um dia para fazer um bate-volta até Hoi An. As duas cidades ficam a menos de uma hora de distância, mas sem dúvida merecem estadias separadas.

Durante nossos 15 dias na cidade, testamos diferentes acomodações em três regiões e cada uma delas oferecem formas completamente diferentes de viver a cidade.

Hoi An Ancient Town

À primeira vista, ficar hospedado no coração do centro histórico pode parecer a melhor escolha. Passamos alguns dias em um hotel bem simples, a dois passos do bafafá da cidade antiga. E a praticidade é realmente incomparável, mas existe um preço a pagar por essa localização privilegiada: o barulho.

E não estou falando dos bares funcionando até altas horas — esse, aliás, não é exatamente um problema em Hoi An, já que a cidade fecha cedo. O problema são os sons que começam logo pela manhã. Acordamos algumas vezes às 6h com o som dos karaokês (a verdadeira paixão nacional vietnamita) ou com barulho de obras.

Por isso, se este é um fator importante para você, vale pensar duas vezes antes de escolher uma hospedagem no meio da Ancient Town. Infelizmente não vou recomendar o hotel que ficamos aqui, pois ficou muito abaixo das expectativas.

Cam Chau & Cam Pho

Se você quer ficar perto da cidade histórica, mas prefere trocar o movimento constante da Ancient Town por uma casa espaçosa, piscina e uma atmosfera mais residencial, Cam Chau é provavelmente a melhor escolha.

Foi aqui que encontramos o Airbnb mais bonito em que já tivemos a oportunidade de nos hospedar. A propriedade fica em uma área tranquila de Cam Chau, cercada por aquele cenário que torna os arredores de Hoi An tão agradáveis: ruas estreitas, casas baixas e uma vida local que parece acontecer em um ritmo completamente diferente do centro turístico.

A casa tem dois andares, com três quartos lindamente decorados, todos com ar-condicionado, cozinha completa e uma piscina privativa. Para três pessoas, era um espaço quase absurdamente grande — mas, considerando o preço, acabou fazendo muito mais sentido do que reservar um bom hotel.

A Ancient Town fica a uns 5 minutos de carro. No Vietnã, usamos o Grab para praticamente todos os deslocamentos, então era fácil chegar ao centro e, quando voltávamos para casa, tínhamos a sensação de estar em um pequeno refúgio, longe da confusão.

Para estadias mais longas, eu escolheria Cam Chau sem pensar duas vezes. Você perde a possibilidade de simplesmente sair do hotel e já estar diante das lanternas da Ancient Town, mas ganha em espaço, silêncio, piscina e uma experiência muito mais relaxante, sem realmente ficar longe de nada.

An Bang Beach

An Bang Beach fica a apenas cerca de 10 minutos de carro da cidade histórica, mas a sensação é de estar em outro destino. Enquanto Hoi An tem o charme de uma cidade histórica cuidadosamente preservada, An Bang tem uma atmosfera muito mais descontraída de vilarejo de praia.

A infraestrutura é bem mais simples do que você encontrará na cidade, e não espere uma longa faixa de hotéis sofisticados ou grandes resorts. A atmosfera é mais despretensiosa, com pequenos hotéis, beach clubs e uma praia que, digamos, não é exatamente o ponto alto da região.

Foi aqui que ficamos no AIRA Boutique Hoi An Hotel & Spa, que apesar de ser um hotel de rede, oferece uma escala mais intimista com apenas 25 quartos. Os quartos são espaçosos e seguem uma decoração elegante e aconchegante. Ele não é exatamente um pé na areia, mas está a poucos passos da praia e próximo aos beach clubs The Deck House e Soul Kitchen.

Esta opção é um meio-termo muito interessante: você fica em uma atmosfera de praia, mais tranquila e descontraída, mas continua perto o suficiente da cidade histórica para ir e voltar facilmente de Grab.

10 experiências para viver em Hoi An

Entre mergulhar nas tradições locais e explorar o charme do centro histórico, até encontrar as melhores oportunidades para fotografar e curtir o ritmo da cidade, há muitas formas de descobrir a essência de Hoi An. Neste guia, reunimos algumas ideias de experiências que convidam a viver a cidade mais charmosa do Vietnã sem pressa, entre cultura, fotografia e momentos de relaxamento.

🏮A Hoi An cultural

1. Faça uma roupa sob medida

A cidade é famosa por suas centenas de alfaiatarias, que transformaram a tradição de costura local em uma das experiências mais procuradas por turistas, principalmente europeus atraídos pelo baixo custo das peças.

E não estamos falando apenas de ternos. Vestidos, camisas, calças, saias e até sapatos podem ser confeccionados de acordo com suas medidas. Você pode chegar com uma foto da roupa que gostaria de reproduzir ou dar uma olhada nos catálogos das lojas para escolher entre as opções que eles sugerem. A partir daí, você vai sentar com o vendedor, escolher tecido, cor, tipo de forro, detalhes do corte e tirar suas medidas.

Esta deve ser a primeira coisa que você deve fazer quando chegar em Hoi An, para que sobre tempo suficiente para que a peça fique pronta. Mas não se preocupe, porque o processo é surpreendentemente rápido. Após esta primeira visita, uma versão inicial da peça já estará pronta no dia seguinte. Caso ainda precise de algum ajuste, o que costuma ser o caso, ele pode ser feito no mesmo dia ou no dia seguinte, dependendo da complexidade da peça. Então, efetivamente, é possível ter tudo pronto em três dias.

Claro que é importante ter expectativas realistas: não estamos falando de alta-costura parisiense. Existem centenas de alfaiatarias em Hoi An, com diferentes níveis de qualidade, e nem todas entregam o mesmo resultado. Essa quantidade enorme de lojas é surreal e deixa qualquer um perdido. Por isso, vale pesquisar online de antemão e olhar avaliações recentes.

Depois de uma rápida pesquisa, optamos pela Peace Tailor — que atualmente tem nota máxima no TripAdvisor, com mais de 4 mil avaliações. Como sempre no Vietnã, se comunicar em inglês pode ser um desafio, mas as funcionárias da loja foram muito prestativas e tudo saiu do jeito que combinamos. Além de encomendarmos trajes masculinos completos (ficaram em torno de €100 cada), escolhi fazer um vestido amarelo inspirado na peça icônica de Kate Hudson em Como Perder um Homem em 10 Dias. Por ser um vestido de festa com um tecido delicado, a peça saiu por cerca de €60, mas este é provavelmente o valor mais alto para a confecção de um vestido. A Peace Tailor também recomenda uma sapataria, onde fizemos um sapato social masculino de couro.

2. Explore os edifícios históricos chineses

Durante o período áureo de Hoi An como um dos principais portos comerciais do Sudeste Asiático, a influência chinesa deixou marcas profundas na arquitetura e na vida da cidade. Mercadores chineses se estabeleceram por aqui e criaram comunidades organizadas de acordo com suas regiões de origem.

Uma das heranças mais interessantes desse período são os chamados assembly halls — grandes salões comunitários que funcionavam como pontos de encontro, espaços para celebrações religiosas e locais de apoio aos membros de cada comunidade. Hoi An chegou a ter diversas dessas associações, e algumas delas continuam preservadas dentro da Ancient Town.

O interessante é que cada assembly hall era ligado a uma comunidade chinesa diferente, como as de Fujian, Canton, Hainan e Chaozhou. Por isso, apesar de terem funções semelhantes, eles apresentam diferenças na decoração, nos altares e nos elementos arquitetônicos. Fachadas ornamentadas, dragões, animais mitológicos, jardins, pátios internos e incensos fazem parte do cenário.

O Fujian Assembly Hall, dedicado à comunidade de imigrantes de Fujian, é provavelmente o mais impressionante e também um dos mais visitados. O Cantonese Assembly Hall, por sua vez, tem uma arquitetura particularmente interessante, com um pátio interno e um pequeno lago. Já o Hainan Assembly Hall guarda uma história mais peculiar, ligada a um episódio trágico envolvendo marinheiros chineses.

A maioria desses edifícios fica espalhada pela própria Ancient Town e pode ser visitada durante uma caminhada pelo centro histórico. Alguns cobram uma pequena taxa de entrada.

Se você pretende visitar vários assembly halls e outros museus em Hoi An, talvez valha a pena comprar o Hoi An Ancient Town Ticket, um ingresso geral que inclui diversas atrações culturais e históricas da cidade.

3. Faça seu próprio souvenir em uma oficina de lanternas

A presença de comerciantes chineses e japoneses em Hoi An também deu origem a uma tradição que viria a se tornar um dos maiores símbolos da cidade. As lanternas foram incorporadas à identidade de Hoi An e, à noite, tomam conta das fachadas, lojas e ruas da Ancient Town, transformando o centro histórico em um dos cenários mais fotogênicos do Vietnã.

Depois de alguns dias na cidade, você inevitavelmente vai querer levar uma lanterna para casa. Em vez de comprar uma já pronta em uma das inúmeras lojas do centro, por que não confeccionar o seu próprio souvenir?

Reservamos uma oficina de lanternas pelo GetYourGuide e foi uma experiência muito mais divertida do que imaginávamos. Durante a atividade, aprendemos sobre o significado dos diferentes formatos de lanternas, escolhemos o tecido de seda que queríamos usar e fomos confeccionando nossa própria peça com a ajuda dos artesãos, a partir de uma base de bambu que já está pronta.

No início, pode parecer complicado, mas não é preciso ter nenhuma habilidade manual especial. Os instrutores explicam cada etapa e ajudam quando necessário, enquanto você vai dando forma à sua lanterna. No final, a base de bambu da lanterna pode ser fechada e o souvenir fica num tamanho conveniente para levar pra casa.

É uma atividade leve que recomendo especialmente para quem viaja em grupo de amigos ou com crianças, até porque o valor da oficina acaba sendo o mesmo que comprar uma lanterna pronta numa loja de souvenir.

4. Assista ao Hoi An Memories Show

Quando estive na China, há mais de 10 anos, assisti ao Impression Sanjie Liu Show, em Yangshuo, na região de Guangxi. Este grandioso espetáculo a céu aberto é encenado no próprio rio Li e usa as imponentes montanhas de calcário da região como cenário natural. O espetáculo é dirigido pelo responsável pelo show de abertura das Olimpíadas de Pequim e envolve mais de 600 atores.

É uma espécie de superprodução teatral a céu aberto, com dezenas de cenas acontecendo simultaneamente, enormes grupos de dançarinos, barcos, lanternas, música ao vivo e efeitos de luz. Nunca na minha vida tinha imaginado que algo assim existia — principalmente em uma época que antecedia as redes sociais.

Descobri que esse tipo de espetáculo é relativamente comum em várias regiões da China e que o conceito também chegou ao Vietnã. O Hoi An Memories Show é uma dessas superproduções que utiliza um cenário natural como parte do palco. São mais de 500 atores em uma área de aproximadamente 25.000 m², às margens do rio Hoai. Em 75 minutos, o espetáculo conta os mais de 400 anos de história de Hoi An, mostrando a transformação de uma pequena vila de pescadores em um dos portos internacionais mais movimentados da Ásia.

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Um dos atos mais bonitos é uma homenagem ao áo dài, a tradicional vestimenta vietnamita, em uma representação que simboliza o encontro entre oriente e ocidente. É uma pena que não seja permitido fotografar o espetáculo!

O público, de aproximadamente 3.300 pessoas, fica em uma grande arquibancada. Há lugares cobertos que incluem um prato de frutas e água (categoria VIP), e outros descobertos (nas categoria alta e econômica). Recomendo fortemente escolher um ingresso com acesso a um lugar coberto. Fiquei aliviada de termos um bom lugar protegido da chuva enquanto muitas pessoas tiveram que assistir ao espetáculo usando capas de chuva. A diferença de preço é pequena e, para mim, vale muito a pena. Existem também opções de ingresso que incluem jantar buffet servido antes do espetáculo, mas não experimentamos essa modalidade.

O show começa normalmente às 19h30, com apresentações regulares ao longo da semana, exceto às terças-feiras. Você pode comprar os ingressos com antecedência pelo GetYourGuide ou pelo Klook.

É importante deixar claro que o Hoi An Memories Show acontece DENTRO de um parque temático chamado Hoi An Impression Theme Park, que, por sua vez, fica DENTRO de complexo maior chamado Hoi An Memories Land (sim, é bem confuso mesmo!)

O Hoi An Impression Theme Park é um lugar bastante instagramável, onde acontecem pequenas apresentações de música e dança espalhadas pelas diferentes áreas do parque, antes do início do Hoi An Memories Show. Sinceramente, não acho imprescindível chegar muito cedo para aproveitar o parque. As performances que acontecem ali são relativamente básicas quando comparadas ao espetáculo principal — e tenho a impressão de que essa é justamente a intenção: funcionar como uma espécie de aperitivo para o grande show da noite.

Sem dúvida, o Hoi An Memories Show foi uma das experiências mais memoráveis que tivemos no Vietnã. E acho que é um programa relativamente pouco divulgado entre os turistas internacionais, apesar de atrair um público enorme de turistas vietnamitas.

5. Faça um day trip a My Son

Se você já estiver em Hoi An há alguns dias e estiver interessado em história, vale a pena reservar uma manhã para conhecer My Son, um dos sítios arqueológicos mais importantes do Vietnã. Localizado a cerca de uma hora de Hoi An, o passeio ocupa aproximadamente meio dia, então é fácil encaixá-lo no roteiro sem sacrificar uma tarde em Hoi An.

Escondido em um vale cercado por montanhas, My Son é um conjunto de templos construídos pelo antigo reino Champa entre os séculos IV e XIII. A civilização Cham tinha fortes influências do hinduísmo indiano, e o complexo funcionava como um importante centro religioso e político, dedicado principalmente ao culto de Shiva. Hoje, o que restou são torres de tijolos avermelhados espalhadas em meio à vegetação.

O local foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999 e é particularmente interessante porque permite conhecer uma cultura que teve um papel importante na história do Sudeste Asiático, mas que acaba recebendo muito menos atenção dos turistas do que Angkor, no Camboja.

Nós escolhemos fazer o passeio BEM CEDO, com saída de Hoi An ainda antes do amanhecer. Chegar cedo significa encontrar os templos praticamente vazios e ainda aproveitar uma luz muito mais bonita para fotografar — se você tiver sorte com o tempo, o que infelizmente não foi nosso caso. À medida que a manhã avança, começam a chegar os ônibus das excursões e a experiência no local muda completamente.

O nosso tour era em um grupo pequeno e incluía transporte em van desde o hotel e uma visita guiada ao santuário, além de um pho de café da manhã servido no próprio restaurante do parque. Ter um guia faz toda a diferença, porque, sem contexto, My Son não passa de um amontoado de tijolos antigos.

Com uma visita guiada, também é impossível ignorar as marcas da guerra. Várias estruturas foram destruídas ou severamente danificadas durante a Guerra do Vietnã, e esta é a principal razão para que hoje algumas áreas do complexo não passem de ruínas. É um detalhe especialmente triste, principalmente quando você entende o nível de sofisticação da engenharia Cham e a importância do conjunto para compreender a vida religiosa e política dessa civilização.

📸 A Hoi An fotogênica

6. Deixe sua oferenda no rio

Poucas cenas são tão associadas a Hoi An quanto as pequenas lanternas de papel flutuando pelo rio ao anoitecer. O ritual consiste em acender uma vela dentro de uma pequena lanterna de papel e colocá-la no rio, geralmente acompanhada de um pedido. A tradição tem raízes nas práticas espirituais vietnamitas e no culto aos ancestrais. A ideia é que a luz carregue uma oração, uma lembrança ou um desejo.

Essa oferenda espiritual era realizada originalmente no 14º dia do mês lunar, quando acontece o chamado Festival das Lanternas. Mas, com o aumento do turismo em Hoi An, hoje em dia o ritual é realizado por centenas de pessoas todas as noites do ano. Estivemos no Festival das Lanternas e não vimos muita diferença entre aquela noite e as demais.

A opção mais simples de fazer o ritual é comprar uma pequena lanterna na margem do rio e deixá-la na água a partir das escadarias do calçadão. As lanternas costumam custar entre 5.000 e 20.000 VND, dependendo do tamanho e do vendedor, que ficam espalhados pelas margens do rio.

Se quiser transformar o momento em uma experiência mais completa, dá para fazer o tradicional passeio de barco pelo rio Hoai. Os barcos são pequenos, de madeira, e o passeio dura aproximadamente 20 minutos — com uso obrigatório de colete salva-vidas. O valor é cobrado por barco, e não por pessoa. Os preços de referência em 2026 ficam em torno de 150.000–170.000 VND para um barco de até três pessoas e cerca de 200.000–220.000 VND para quatro ou cinco passageiros. Não é preciso reservar nada com antecedência: toda a negociação é feita na hora, diretamente com os barqueiros.

Como estávamos com uma criança pequena e não me animava muito a ideia de navegar em um barquinho pequeno usando um colete salva-vidas, optamos por fazer a experiência em um barco maior. E acabou sendo uma escolha particularmente interessante, porque o barco grande se afasta das multidões e permite fazer o ritual em uma atmosfera muito mais tranquila. Nos barcos pequenos, o rio fica bastante movimentado, com vendedores oferecendo lanternas, barqueiros disputando passageiros e turistas tentando conseguir a foto perfeita.

7. Faça um photoshooting profissional

No final da nossa estadia de duas semanas em Hoi An, eu já estava tão apaixonada pela cidade que sentia que as fotos que havia tirado até então não estavam conseguindo fazer justiça à beleza do lugar. Daí surgiu a ideia de fazer um photoshooting profissional de uma hora pela cidade, passando por alguns dos seus locais mais fotogênicos no horário do pôr do sol.

Esse é, sem dúvida, o momento mais bonito para fotografar Hoi An: a luz fica dourada, as fachadas amarelas ganham ainda mais intensidade e, pouco depois, as lanternas começam a se acender. O problema é que esse também é o horário de maior movimento na Ancient Town. As ruas ficam lotadas e, dependendo do local escolhido, pode ser bastante difícil conseguir aquela foto perfeita sem dezenas de pessoas ao fundo. Por isso, no fim das contas qualquer horário pode funcionar.

Para nós, o photoshooting também foi uma ótima oportunidade de fazer fotos em família, algo que acaba sendo bastante raro nas nossas viagens.

Infelizmente, não posso recomendar a empresa que contratamos, porque eles nunca chegaram a nos enviar as fotos editadas. Mas se você também quiser fazer uma sessão de fotos na cidade, existem diversas opções de tours fotográficos e sessões particulares no GetYourGuide, com diferentes durações e propostas.

☕ A Hoi An para curtir sem pressa

8. Desacelere nos cafés mais charmosos da cidade

A cultura do café é um aspecto extremamente forte no cotidiano vietnamita. O país é um dos maiores produtores de café do mundo e desenvolveu maneiras muito particulares de consumir a bebida, seja no tradicional Vietnamese Coffee (com leite condensado e gelo), seja em preparos regionais bem mais inusitados (como o egg coffee de Hanoi). Em Hoi An, essa paixão pelo café encontrou um cenário perfeito em pequenos cafés cheios de personalidade. Aqui, tomar um café deixa de ser apenas uma pausa no roteiro e passa a ser parte da própria experiência de viver a cidade.

Entre os nossos favoritos está o Memories Bistro & Café, uma pausa perfeita em um cantinho da cidade histórica para observar o movimento da rua. O último andar do prédio do Memories Café tem uma vista panorâmica da cidade. Aqui provamos um dos melhores salt coffees do Vietnã, uma preparação que se originou na cidade de Hue, combinando um café forte com uma espuma cremosa levemente salgada, feita à base de leite e creme. O sal ajuda a suavizar o amargor do café e cria um contraste delicioso com a doçura da bebida.

Mais moderno e estiloso é o Lady Buddha Coffee & Tea Co. O café é conhecido pela alta qualidade dos grãos, provenientes da região de Da Lat. O coconut coffee servido aqui é tão fotogênico que até dá pena de beber: esta combinação tradicional entre café vietnamita, creme de coco e coco ralado vem cuidadosamente montada, em uma apresentação que parece feita sob medida para as fotos de Hoi An.

Você ainda pode aprender a preparar alguns dos tradicionais cafés vietnamitas — como o coconut coffee e o salt coffee — no Unicorn Bowl & Coffee. Ao pedir a bebida, você acompanha o barista e coloca a mão na massa, aprendendo o passo a passo da preparação do café que escolheu, sem nenhum custo adicional.

Se você prefere se aprofundar na cultura do café vietnamita e aprender diferentes técnicas de preparo, o GetYourGuide também oferece diversas opções de cursos e workshops de café em Hoi An.

9. Aproveite os spas e os beach clubs de An Bang

A praia de An Bang, como já mencionei, não é exatamente o ponto alto de Hoi An. A faixa de areia é bastante suja, o mar é revolto e o visual não é nada que justifique viajar até ali com o intuito de passar os dias na praia.

Mas se já estiver em Hoi An e tiver um belo dia de sol disponível, An Bang é fácil de acessar de Grab e pode funcionar muito bem como uma pausa no roteiro ou para um fim de tarde relaxante. É uma mudança completa de ritmo em relação à movimentada Ancient Town.

Nós visitamos dois beach clubs em An Bang e encontramos propostas quase opostas. O The Deck House é mais arrumadinho, com uma estrutura mais bonita e uma pegada mais confortável. O Soul Kitchen, por outro lado, é bem simples e despretensioso, com uma atmosfera de praia mais informal e pé no chão. Vale também verificar a programação e visitar o Soul Kitchen numa noite com música ao vivo.

An Bang também reúne vários spas, o que torna a região uma boa opção para encaixar uma massagem no roteiro, especialmente por causa do excelente custo-benefício. Nós estivemos no Silver Moon, um spa recém-inaugurado quando visitamos a cidade, e aproveitamos para fazer uma pausa depois de alguns dias de muita caminhada e exploração. É uma daquelas experiências que combinam perfeitamente com o ritmo desacelerado de An Bang.

10. Entre cao lầu e bánh mì: descubra a gastronomia de Hoi An

Não sou a maior fã da gastronomia vietnamita quando comparada com outras culinárias asiáticas, mas há alguns pratos de que gosto bastante. Hoi An tem um cenário perfeito nesse sentido, pois reúne restaurantes com gastronomia local, mas também ótimas opções ocidentais.

Cao lầu é a especialidade mais emblemática de Hoi An, provavelmente o primeiro prato que você deve experimentar. É um macarrão de arroz grosso e firme, servido com fatias de carne de porco, ervas frescas, broto de feijão e pequenos pedaços crocantes de massa de arroz, tudo acompanhado por uma quantidade mínima de caldo ou molho — o que torna o cao lầu bem diferente do phở. A preparação tradicional do cao lầu está associada à água do Bá Lễ Well, um antigo poço de Hoi An, usado tanto na produção do macarrão quanto do molho. É por isso que existe uma forte associação entre o cao lầu e a própria cidade: não é simplesmente um prato local, mas um prato que só pode ser produzido localmente.

Outra especialidade de Hoi An são as white rose (bánh bao bánh vạc). São pequenos dumplings de massa de arroz translúcida, geralmente recheados com camarão e moldados de maneira que lembram uma flor. Eles são delicados, quase decorativos — o que combina perfeitamente com Hoi An — e costumam ser servidos com molho e cebola ou alho crocante por cima.

Embora não seja original de Hoi An, segundo Anthony Bourdain é aqui que se encontram os melhores bánh mì do Vietnã. Existem muitas variações no preparo do bánh mì, que é essencialmente uma combinação entre a crocante baguete francesa — fruto da colonização da Indochina — e recheios que carregam vegetais e ervas aromáticas vietnamitas. À noite, às margens do rio, Hoi An fica tomada por vendedores ambulantes de bánh mì. Mas, se você quiser provar uma versão mais arrumadinha, em uma loja bem ajeitada, o All Day Bánh Mì é uma excelente opção no Ancient Town. Já os locais mais tradicionais de Hoi An para provar um bánh mì raiz são Bánh Mì Phượng e Madam Khanh.

Mas talvez o meu prato vietnamita favorito seja o bánh xèo, o crepe vietnamita. O bánh xèo de Hoi An tem características próprias e é tratado como uma especialidade da cidade, consumido principalmente nos meses mais chuvosos e frios. A versão de Hoi An é normalmente pequena, bem crocante, feita com farinha de arroz e recheada com camarão, carne de porco e broto de feijão. A forma tradicional de comer também é parte importante da experiência: corta-se o crepe, colocamos ele dentro de uma folha de papel de arroz com ervas e vegetais, enrolamos tudo com a mão e mergulhamos no molho antes de comer. Ótimas opções de restaurantes no centro da cidade para provar o bánh xèo de Hoi An são o MẸT Vietnamese Restaurant & Vegetarian Food e o Grandma Kitchen, ambos com vistas para o rio.

Sei que pode parecer um pouco errado dizer isso em um texto sobre a gastronomia de Hoi An, mas, como amante da culinária francesa, meu restaurante favorito na cidade é justamente o do colonizador. O Le Cabanon é um pequeno bistrô francês na Ancient Town, às margens do rio, que acabou se tornando o ponto de encontro da comunidade francófona de Hoi An. O restaurante é comandado por um expatriado francês e tem aquela atmosfera de um pequeno bistrô, zero sofisticação (e, inclusive, um dos banheiros precisa urgentemente de uma reforma).

Nós fomos tantas vezes ao Le Cabanon durante nossa estadia que pudemos experimentar boa parte do menu, cheio de clássicos franceses, e a sensação era sempre de comfort food. Os diferentes tipos de camembert au four são particularmente difíceis de resistir, o cordon bleu também aparece entre os pratos mais elogiados do restaurante, e o crepe campagnarde, servido com batatas fritas redondas ao alho, não deve nada aos melhores crepes de Paris. Todas as vezes fomos recebidos pelo próprio dono, que fazia questão de conversar com os clientes e ajudar nas escolhas.

Se, depois de cinco dias seguidos comendo cao lau, phở e bánh xèo, seu estômago começar a protestar, uma alternativa para variar o cardápio é o A6 Garden Smokehouse & Craft Beer, especializado em carnes defumadas, com brisket, ribs, cervejas artesanais e outros pratos de inspiração americana.

Além, é claro, da minha hamburgueria queridinha: a Chops Riverside, onde batemos ponto em diversas cidades pelo Vietnã. O restaurante fica às margens do rio, com algumas mesas ao ar livre, chope bem gelado, música ao vivo na maioria das noites e um dos melhores hambúrgueres que você vai comer na vida. E não deixe de guardar espaço para uma sobremesa chamada Rocky Road à base de marshmellow.

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